quarta-feira, 25 de março de 2009

Arbitragem: Ações e Reflexões Preventivas

No basquetebol são dois ou três, o número de árbitros que estão atuando num jogo. Os árbitros devem valer-se disso em seu favor, dividindo bem suas tarefas e suas responsabilidades, para dar menor margem de oportunidade para erros e consequentes comportamentos de insegurança com relação a si mesmos e na geração de reclamações por parte dos técnicos. Assim como todos que estão envolvidos na disputa de um jogo de basquetebol, preparam-se para um desempenho ótimo, mais que nunca, o árbitro deve estar também preparado físico, técnica e psicologicamente para desempenhar satisfatoriamente sua função.

Mediar qualquer coisa é muito desgastante e ainda mais uma partida de basquetebol, por isso todos os cuidados devem ser observados por aqueles que desejam ser ótimos árbitros e assim estar cada vez mais resguardados das críticas negativas devido seu desempenho em quadra.

Os técnicos sabem que o árbitro é o único que tem por obrigação manter-se sob controle psicológico para gerenciar tantos estímulos que a partida emite, por isso é importante a sintonia e coerência entre a dupla ou trio que arbitrará a competição, conseguindo assim, lidar positivamente com os técnicos e suas manifestações.

O estresse emocional originado dos técnicos das equipes que jogam entre si, sofrido pêlos árbitros da competição podem ser evitados com alguns cuidados tais como: a) os árbitros desempenharem bem suas tarefas específicas demonstrando coerência em suas interpretações; b) os árbitros estarem entrosados na condução do jogo; c) agirem com firmeza e educação em seus relacionamentos com técnicos e atletas; d) dominarem bem as regras e possuir critérios nas interpretações; e) os árbitros devem sempre compartilhar entre si experiências análise dos erros mais comuns; f) diferenciar autoridade e falta de educação; g) saber firme e também flexível na competição; h) não permitir nenhum tipo de pressão por parte dos técnicos; i) saber dar a importância que o técnico merece nos momentos críticos do jogo; j) ser figura de arbitragem (discreto e preciso), pois o espetáculo é dos atletas; l) melhorar seu desempenho, usando seu campo visual de forma mais efetiva, como, por exemplo, evitando seguir as ações observando o trajeto da bola;

Os árbitros tem essa tendência, e o basquete por ser tão dinâmico requer uma maior visão do todo, pois muitas ações acontecem fora do trajeto da bola. É fundamental reduzir a quantidade de situações a observar, isso é possível mantendo uma visão das tarefas durante a arbitragem.

Quando mais, VOCÊ ÁRBITRO, dominar-se emocionalmente conhecendo o que como certas situações podem desestabilizá-lo, respaldando-se num bom conhecimento das regras e sabendo que não é o único que conhece, mais você transmitirá segurança aos envolvidos na competição e os técnicos o respeitarão ainda mais e até gostarão de sua arbitragem em seus jogos.

Referência Bibliográfica

CAVALIERI JR, Agostinho Levy.Psicólogo do Esporte Clube Ginástico. Blog da Liga de Basquete de Londrina. Ações e Reflexões Preventivas.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Clínica de Atualização de Regras - AGOB 2009


Comunicamos a todos os associados da AGOB, que iniciaremos o ano de 2009 com a Clínica de Atualização de Regras, com ênfase para mecânica de três árbitros e as Modificações nas Regras Oficiais do Basquetebol, seguindo recomendações da Comissão Técnica da FIBA a partir de 01/Outubro/08. A Clínica será realizada, no Lindóia Tênis Clube, nos dias 27/03, 28/03 e 29/03, com horário previsto para início às 10 horas do dia 27/03. O Lindóia Tênis Clube oferece alojamento e almoço no valor de R$ 10,00 com refrigerante, sendo necessário a todos os associados que tem interesse de utilizar o alojamento, trazer roupa de cama.

Participe também do Jogo das Estrelas da AGOB, dia 28/03, às 20 horas, no Lindóia Tênis Clube.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Recentes Estudos sobre "Stress" e Arbitragem no Basketball

Estudos citados por Kaissidis-Rodafinos, Anshel e Porter (1997) demonstram que lidar com o "stress" é um processo bastante complicado, dependente de fatores situacionais e pessoais. O primeiro tipo de fator diz respeito aos aspectos objetivos do evento, relacionados com a natureza imediata da situação estressante constitui um problema ao qual estarão voltadas as tentativas individuais de resolução. A partir das recentes pesquisas, já é possível notar que a classificação de evento como estressante ou não é muito relativa e depende essencialmente de uma interpretação individual atráves de um processo definido como avaliação cognitiva.
Essa avaliação cognitiva é o primeiro estágio no processo de resolução, formando uma relação entre o agente supostamente estressante e a resposta individual por ele desencadeada. Portanto, a avaliação situacional está estreitamente relacionada com a seleção individual de respostas para resolução do problema.
O trabalho realizado por Kaissidis-Rodafinos, Anshel e Porter (1997) trata principalmente da influência de fatores pessoais e situacionais na seleção das estratégias utilizadas por árbitros de basquetebol para lidar com o "stress" crítico. Em eventos inconstantes, houve uma tendência de se evitar a resolução de problemas, voltando a atenção para a próxima tarefa. Entretanto, em eventos mais controlados, houve um esforço ativo para se conseguir resolver os problemas. Segundo alguns autores, outro fator que afeta o processo de resolução é o estilo adotado por cada indivíduo para selecionar estratégias e utilizá-las na resolução de cada problema. Isso fica mais evidente em situações em que ocorre alto nível de "stress" e que são, normalmente, difíceis de serem controlados, como as que ocorrem em diversas situações durante a arbitragem de basquetebol.
Além destes estudos que abordam estratégias para lidar com "stress" crítico, foram realizados outros, com objetivo de avaliar o nível, ou seja, a intensidade de stress em árbitros de algumas modalidades esportivas. Rainey e Winterich (1995) trabalharam com 723 árbitros americanos de basketball, sendo 56 do sexo feminino. O valor obtido do total da amostra indicou um nível de "stress" de baixo a moderado (89%), enquanto somente 5% da amostra reportou alto nível de "stress".
Ainda neste mesmo estudo, os árbitros mais experientes tenderam a relatar menor nível de "stress" do que os árbitros com menos experiência. Entreanto, os próprios autores chamam a atenção para algumas limitações do estudo como, por exemplo, algumas aspectos subjetivos da mensuração do nível de "stress" e o fato dos árbitros pertencerem a uma mesma região geográfica.
Kaissidis-Rodafinos, Anshel e Porter (1997), ainda consideram escassas as pesquisas realizadas na área e alertam para o fato de que as mesmas abordam geralmente o "stress" relacionado aos atletas ou aos técnicos, sendo que um grupo de participantes do esporte que ainda tem recebido, supreendentemente, pouca atenção dos estudiosos, é o dos árbitros, inclusive os de basketball. Esse fato que pode ser constatado pelo ainda pequeno número de publicações tratando do "stress" a que estão sujeitas as equipes de arbitragem.
Da mesma forma que os atletas, os oficiais de basketball, sejam eles árbitros ou mesários, estão sujeitos às pressões e cobranças das instituições e dos indivíduos aos quais encontram-se direta ou indiretamente ligados e também às condições adversas que podem ocorrer durante os jogos.
A dificuldade de manutenção de uma condição de equilíbrio em todos esses âmbito faz com que essas pessoas e instituições envolvidas no meio esportivo tornem-se fontes potenciais de "stress" para os árbitros. O estudo de Kaissidis-Rodafinos, Anshel e Sideridis (1998), por exemplo, demonstra que somente recentemente os oficiais de arbitragem esportiva têm passado a receber a merecida atenção dos pesquisadores. Abordando fontes, intensidade e respostas ao "stress" em árbitros de basketball gregos e australianos. Situações como: "Discutir com jogadores", "Discutir com os técnicos", "Abuso verbal dos técnicos", e outras, foram consideradas como mais estressantes pelos árbitros australianos do que por seus colegas de trabalho gregos. Por outro lado, árbitros gregos, quando comparados aos australianos, perceberam a "Presença da mídia" com o mais estressante. Foi possível ainda detectar diferenças quanto à percepção dos árbitros em relação à intesidade de "stress", assim como em seus pensamentos e estratégias de resolução para estas fontes de "stress". Essas diferenças foram atribuídas a fatores vocacionais, sociológicos e culturais entre os árbitros da Grécia e os da Austrália, o que sugere que antes da implementação de programas de gerenciamento de "stress", as características culturais da população à qual o programa é voltado devem ser consideradas.
Segundo De Rose Junior (1999), o basketball pode ser considerado uma modalidade esportiva complexa, que envolve um processo dinâmico e contínuo de situações específicas. Desse modo, os oficias de basketball devem ter a capacidade de lidar com essas situações, muitas vezes causadoras de "stress", mantendo níveis apropriados de ansiedade, atenção e concentração durante as partidas. Somente dessa forma possível ao mesário e, principalmente ao árbitro, garantir um estado psicológico aceitável, que permita uma atuação apropriada, com análises adequadas das situações e tomadas de decisões coerentes em diferentes momentos do jogo.
Aliados a outras características psicológicas envolvidas na arbitragem de qualquer modalidade esportiva competitiva, estes aspectos são decisivos na determinação do desempenho das equipes de arbitragem.

Referência Bibliografia
DE ROSE JUNIOR, Dante; PEREIRA, Fabiana Pinheiro; LEMOS, Roberta Freitas. Situações Específicas de Jogo Causadoras de "STRESS" em Oficiais de Basquetebol. São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, 2002. págs. 160-73.
Atenção!!!!
Participe da enquete do Jogo das Estrelas do Novo Basquete Brasil (NBB), no site http://www.liganacionaldebasquete.com.br/ e escolha os melhores jogadores em cada posição.

terça-feira, 3 de março de 2009

Aspectos Psicológicos da Arbitragem no Esporte Competitivo

Arbitrar pode ser desafiador, excitante e gratificante. Por outro lado, os oficiais podem se sentir frustrados, ofendidos e pouco reconhecidos ou valorizados (Weinberg & Richardson, 1990). Os mesmo autores afirmam ainda que dentre os fatores envolvidos na arbitragem esportiva, os psicológicos parecem ser os mais críticos. Jogadores, técnicos, espectadores, fãs do esporte e a mídia, podem presumir que é possível aos árbitros agir como robôs, mas qualquer pessoa que tenha atuado nessa posição, em qualquer modalidade esportiva, sabe que nada poderia estar tão longe da verdade. Árbitros lidam com muita pressão, assim como atletas e técnicos. O árbitro pode ser considerado uma figura essencial no cenário competitivo característico do esporte atual, visto que é ele o responsável por tomar decisões, mediar conflitos e zelar pelo bom andamento de cada partida.
Dentre os trabalhos desenvolvidos junto aos atletas, um dos itens mais citados como causadores de "stress" refere-se à atuação das equipes de arbitragem durante as partidas (De Rose Junior, 1999; De Rose Junior & Vasconcellos, 1993; Samulski & Chagas, 1996).
Independentemente da modalidade esportiva, sempre existem pressões e a necessidade de tomadas rápidas de decisão por parte dos jogadores e, sobretudo, por parte dos árbitros conhecem completa e plenamente as regras, utilizam-se de mecânica adequada e são tecnicamente habilidosos. Entretanto, o que diferencia os melhores árbitros dos demais são as habilidades psicológicas, que poucos têm tempo de desenvolver (Kaissidis-Rodafinos, Anshel & Porter, 1997, 1998; Samulski, Noce & Costa, 1998; Weinberg & Richardson, 1990).
Auto-confiança, assertividade, capacidade de julgamento e tomada rápida de decisão, foco seletivo de atenção, concentração e motivação são algumas das qualidades constantemente encontradas em oficiais que atuam em partidas que exigem altíssimo nível de rendimento.
Apesar da importância atribuída ao treinamento das habilidades psicológicas, a rotina de treinamento físico, jogos e viagens impedem, em muitos casos, que o árbitro as desenvolva a partir de um programa de treinamento psicológico adequado à posição que o mesmo ocupa no esporte.
Para arbitrar também é necessário entender sobre jogadores, ter responsabilidade e estar consciente sobre o que faz com que um jogador se irrite e o que pode vir a comprometer sua atuação. Nenhum árbitro pode realizar uma partida excelente sem uma razoável quantidade de colaboração por parte dos jogadores (Federação Paulista de Basketball, 1998).
O árbitro necessita conhcer o jogo, perceber quais são os objetivos e intenções de jogadores e técnicos e suas respectivas manobras táticas, como também compreender suas ansiedades e as pressões que sofrem ao jogar ou dirigir (Federação Paulista de Basketball, 2000).
Durante os jogos, o árbitro catalisa as reações dos atletas, torcedores, dirigentes, imprensa e todas as pessoas envolvidas no espetáculo. Há interpretações das situações de jogo por parte de todos, muitas vezes diferentes daquelas realizadas pelo árbitro e, por isso, ele deve estar ciente de que sua atuação depende também de sua interação profissional com todos os envolvidos no esporte.
Segundo Samulski, Noce e Costa (1998) e bastante comum que ao término de eventos esportivos, espectadores, jogadores, treinadores, imprensa e todos aqueles que compõem o cenário esportivo, realizem comentários e críticas sobre a atuação dos árbitros. O mesmo estudo revela ainda que a condição de ser árbitro é bastante difícil, principalmente em função dos seguintes aspectos relacionados a uma partida ou disputa:
a) a diferença de interesses gera uma diferente percepção de causas e;
b) a diferença de exigências e pressões gera uma distinta percepção e, em conseqüência, uma distinta concepção, interpretação e avaliação de uma mesma situação de jogo;
Isto quer dizer que durante a competição, caracterizada, nesse caso, pelo evento denominado jogo, árbitros, técnicos e jogadores apresentam pontos de vista e funções diferenciadas em relação a aspectos técnicos, táticos, estratégicos e psicológicos. Esta diferença de interesses e funções pode gerar uma situação de conflito.
Neste instante, o árbitro pode ter a visão de que é ele o responsável por gerenciar e mediar a situação, conduzi-la da melhor maneira possível e de acordo com as regras do jogo. Entretanto, jogadores, técnicos e espectadores podem vê-lo como fator de interferência ou obstrução em função de divergências na percepção do mesmo evento ou situação.

Referência Bibliografia
DE ROSE JUNIOR, Dante; PEREIRA, Fabiana Pinheiro; LEMOS, Roberta Freitas. Situações Específicas de Jogo Causadoras de "STRESS" em Oficiais de Basquetebol. São Paulo: Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, 2002. págs. 160-73.